Hora 7 Gangue de orcas liderada por Gladis se torna o terror de barcos na costa da Europa

Gangue de orcas liderada por Gladis se torna o terror de barcos na costa da Europa

A fêmea pode ter passado por uma situação traumática ou o grupo encara ataques aos barcos uma 'atividade lúdica'

  • Hora 7 | Filipe Siqueira, do R7

Resumindo a Notícia
  • Um grupo de orcas ataca barcos no sul da Espanha há cerca de três anos.

  • Estudo mostrou que uma fêmea chamada Gladis lidera a gangue de cetáceos.

  • Suspeita é que ela tenha passado por uma situação traumática.

  • Ou o grupo de mamíferos marinhos ataque os lemes como uma 'atividade lúdica'.

Orcas são lideradas por fêmea chamada Gladis

Orcas são lideradas por fêmea chamada Gladis

Reprodução/YouTube/The Telegraph

Uma gangue de orcas se tornou o terror dos barcos e iates que passam pelo estreito de Gibraltar, no sul da Espanha. O grupo de cetáceos aparentemente é liderado por Gladis, uma orca fêmea que é apontada como uma espécie de Robin Hood em posts nas redes sociais.

A história de Gladis e sua gangue não é recente: desde maio de 2020 são registrados ataques do tipo na região.

Os relatos de que grupos de orcas destroem lemes e partes do casco de embarcações em batidas coordenadas e precisas são tão fantásticos que muitos biólogos permaneceram céticos por alguns meses.

Em junho e novembro de 2022, dois ataques resultaram no naufrágio de duas embarcações na região. No início de maio, um ataque brutal causou o afundamento de outro barco por lá.

Nas redes sociais, Gladis se tornou tema de memes (como esse acima, que referencia o filme Crepúsculo), que afirmam que uma revolução de orcas começou.

Com o volume cada vez maior de registros, é um consenso que algo de extraordinário está ocorrendo com as orcas no sul da Espanha.

Um artigo de junho do ano passado, intitulado "Baleias assassinas do estreito de Gibraltar, uma subpopulação ameaçada que mostra um comportamento perturbador" e publicado no periódico científico Marine Mammal Science, mostrou que os ataques do tipo estão se tornando cada vez mais frequentes.

Além disso, ele revelou que o grupo tem uma técnica especial: cerca o barco, destrói o leme e geralmente vai embora assim que o veículo para. Quando o leme não fica avariado definitivamente, as baleias atacam até o veículo afundar.

A suspeita principal é que algum evento traumático, provavelmente uma orca ferida pela passagem de um barco ou por alguma armadilha, desencadeou a violência das interações. Com o tempo, um grupo de baleias aprendeu como avariar ou até destruir barcos, e o comportamento foi aprendido por cada vez mais indivíduos.

"As orcas estão fazendo isso de propósito. Não sabemos a origem nem a motivação, mas o comportamento defensivo baseado no trauma, como origem de tudo isso, ganha mais força para nós a cada dia", disse Alfredo López Fernandez, biólogo da Universidade de Aveiro, em Portugal, e coautor do estudo, em entrevista ao site LiveScience.

A suspeita forte é que a fêmea, exatamente White Gladis, tenha sofrido um evento traumático (descrito poeticamente no estudo como "momento crítico de agonia"), e desde então passou a ensinar outros integrantes do grupo dela a atacar o inimigo — embarcações motorizadas, basicamente.

Mesmo filhotes estão envolvidos nas investidas, o que sugere que o reinado de terror de Gladis será longo. Apesar do número de ataques, o estudo mostra que cerca de 39 indivíduos estsão envolvidos, uma quantidade relativamente pequena.

É possível também que as investidas sejam apenas uma "moda passageira": assim como humanos, orcas apresentam comportamento social complexo e gostam de se divertir.

"Acho que é igualmente razoável sugerir que elas estão fazendo isso porque podem, porque é divertido", disse a pesquisadora noruguesa Hanne Strager, em entrevista à National Geographic.

Como não é possível fazer exames de ressonância magnética em animais marinhos tão gigantes, o que poderia sugerir algum grau de intenção nas ações deles, apenas mais observação permanente pode dar respostas a esse mistério.

Por enquanto, cientistas tratam a questão como mais uma prova da extrema complexidade e avanço do comportamento dos cetáceos.

LEIA ABAIXO: Orcas estão atacando barcos na Espanha, e ninguém sabe o motivo

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