Hora 7

Primeiras impressões: The End Is Nigh

Jogamos o novo game do criador de Super Meat Boy e The Binding of Isaac

The End Is Nigh é a última empreitada de Edmund McMillen, em parceria com o desenvolvedor Tyler Glaiel. Eles já trabalharam juntos em projetos menores e esse jogo parece uma síntese de algumas das filosofias praticadas por eles nos títulos antigos. Mas como é esse novo game de McMillen, famoso por jogos difíceis e criativos?

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Apesar de simples, não dá pra dizer que Edmund McMillen não tem o dom para visuais agradáveis

Bem, TEIN lembra muito o Super Meat Boy, pelo menos visualmente: é um jogo com gráficos simples e limpos, que lembram a época de ouro dos jogos feitos em Flash. Felizmente, ele não é feito em Flash, o que o permite rodar a 60 quadros por segundo, em múltiplas resolução e com vários níveis de antialiasing (na medida do possível para um jogo 2D).

A premissa é bem simples: o protagonista, que é esse bicho estranho com só um olho, estava jogando videogame quando o mundo acabou. Agora, ele está coletando tumores para fazer um amiguinho para jogarem videogame juntos. São lados perturbadores e fofinhos da mesma moeda, que é o estilo do McMillen desde sempre.

O primeiro mapa, seguindo o tema de fim do mundo, se chama The End (mas não tem muito a ver com o mundo homônimo em Super Meat Boy) é simples, e já mostra mais ou menos quais são as diferenças entre TEIN e Super Meat Boy.

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O protagonista é o bicho feio da direita, enquanto aquele bichinho flutuante à esquerda é um tumor

TEIN mostra ser um jogo bem mais lento e focado em exploração. Os mapas são lineares, mas você precisa coletar os tumores, procurar por passagens secretas e até falar com NPCs. Em Super Meat Boy, tudo era feito para ser rápido: você terminava rápido ou morria rápido; já aqui, em algumas ocasiões eu tinha que esperar o mapa avançar por alguns segundos ou mesmo ficava preso em uma área da qual não tinha volta, e aí precisava me matar. Felizmente, tentar de novo é instantâneo, assim como Super Meat Boy.

Uma aventura lenta

De certa forma, esse foco mais lento não é ruim, mas esperar pela boa vontade da fase para progredir era sempre frustrante. Eu cheguei no segundo mundo em cerca de 30 minutos e estou preocupado com o fato do jogo confiar tanto em partes do mapa caindo para me obrigar a pular.

Outra coisa que chama atenção é que o repertório de comandos é bem escasso. Você pode pular, agachar, cair mais rápido e se segurar em beiradas ou ganchos. Não tem como correr ou pular mais alto, a não ser que você pule em um trampolim ou inimigo específico.

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Essa é uma das fases nas quais você mais precisa esperar

Até me incomoda ficar comparado esse jogo a Super Meat Boy, mas a verdade é que muitas pessoas estão fazendo essa associação: o estilo visual é parecido, o game designer é o mesmo, há referências a outras jogos de McMillen e o estilo de plataforma é parecido. O problema nisso é que, se comparado ao clássico jogo do menino de carne, The End Is Nigh pode ter dificuldade em trazer novas audiências. Quem já jogou o clássico pode ficar decepcionado mesmo nos primeiros minutos, e quem não jogou o título de 2010 deveria jogar.

Ainda assim, The End Is Nigh é mais do que apenas 30 minutos — o jogo promete cerca de 600 fases, dentre as quais muitas são "minigames" que emulam jogos antigos, e são ainda mais brutais que o jogo principal. Além disso, esse é um jogo cheio de diálogo e história (para os padrões do Edmund, pelo menos), e eu tenho a sensação que há segredos interessantes no decorrer da aventura.

Isso sem contar que a trilha sonora é absolutamente espetacular: são remixes de música clássica feitos pelo grupo Ridiculon, que fez a trilha sonora de The Binding of Isaac: Rebirth. Só ouvindo para entender:

Para mais informações, você terá que ler nosso review. Mas por enquanto, as impressões são... Medianas. Infelizmente, a pior parte do jogo, que é o design das fases, é a mais fundamental para qualquer jogo, ainda mais desse gênero. The End Is Nigh pode ser comprado na Steam, por R$ 28 e você também pode comprar a trilha sonora (também está disponível no Spotify).

* Victor Fermino, do R7

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