League of Legends inspira novas profissões online

Atletas profissionais, narradores de jogos e outras ocupações se adaptaram à jogatina virtual

League of Legends é o game mais jogado da atualidade, com 27 milhões de jogadores diários
League of Legends é o game mais jogado da atualidade, com 27 milhões de jogadores diários Divulgação

Com a terceira edição do XMA Mega Arena em São Paulo, a popularidade dos MOBAs ("arena de batalha online para multi jogadores", na tradução livre) nunca esteve tão em alta. Segundo pesquisa da empresa Newzoo, a chinesa Tencent, dona da Riot Games, foi a empresa de games com faturamento mais alto no ano passado, lucrando cerca de R$ 21,4 bilhões.

Com isso, é de se esperar que o mercado em torno dos jogos online cresça gerando profissões até então inexistentes. Este é o caso de Carlos “Nappon” Rucker, atleta profissional de LoL (League of Legends). O jovem de 20 anos é parte da equipe da CNB e-Sports Club, uma organização de cyber atletas que participam de campeonatos de diversos jogos online. Parte do casting desde outubro do ano passado, Rucker conta que, assim como vários outros profissionais, tudo começou na brincadeira.

— Eu já jogava outros jogos no mesmo estilo de League of Legends, como Dota 2, Dota 1. Quando eu cansei de alguns eu já sabia que tinha LoL.

Jogando o MOBA da Riot Games desde a metade de 2012, Rucker foi convidado a entrar para o time da CNB depois que já tinha se tornado muito bom no game.

Carlos Rucker joga pelo CNB e-Sports Club
Carlos Rucker joga pelo CNB e-Sports Club Divulgação

A rotina dele agora é bem diferente. Todos os dias Nappon acorda cedo e vai para a academia junto com os outros membros da equipe. Após o almoço, começa o processo de “ativação mental”, noqual o time todo joga outros games que não são relacionados aos MOBAs. Às 15h começa o primeiro bloco de treino real de League of Legends. No segundo bloco, que inicia por volta das 19h, o foco é outro: os jogadores assistem gameplays, estudam táticas e analisam quais pontos podem ser melhorados na jogatina.

Para Nappon, o reconhecimento é uma das melhores recompensas do cyber atletismo profissional.

— Acho que o que eu mais gosto é o fato de as pessoas darem valor pelo o que a gente faz. Você também supera seus limites, tem uma adrenalina durante o campeonato e o público é sempre agradável.

Outro profissional que ganhou espaço no mercado com o crescimento dos e-Sports foi Bruno Pereira, ou "Leonbutcher", Especialista de Conteúdos da Riot Games. Bruno já havia trabalhado por dois anos como narrador independente do jogo, além de ser colunista nos maiores portais de notícias do game.Em abril de 2014, participou do processo seletivo da Riot Games e iniciou seu caminho dentro da empresa.

— Acredito que o que me fez chegar até aqui foi minha paixão pela área e por jogos no geral, não apenas League of Legends. Foi esse amor que me fez correr atrás, mesmo quando não recebia nada em troca.

Bruno também acredita que a área de e-Sports é um mercado emergente, e diz que conta com todos os subsídios da Riot Games para se tornar o melhor profissional possível.

— A empresa oferece diversos cursos para áreas de atuação, viagens para outros escritórios ao redor do mundo para seminários e conferências, incentivo financeiro para jogos e a total liberdade de escolher as pautas que trabalharei semanalmente. Cada vez mais os e-Sports ganham legitimidade e reconhecimento, e é legal ver a grande mídia voltando sua atenção para eventos como a Final do Campeonato Brasileiro de League of Legends de 2014, no Ginásio do Maracanãzinho, no qual os ingressos se esgotaram rapidamente.

Assim como nas profissões comuns, mesmo em LoL também existem práticas que não são consideradas legais, mas que geram renda da mesma forma. Os “elojobs” são uma dor de cabeça para a Riot Games, mas uma opção para jogadores mais inexperientes. O elojob consiste em contratar uma pessoa para subir o nível, ou “elo”, dos seus personagens para você no jogo.

A prática é considerada danosa pela Riot Games, o que não impede que empresas no Brasil ofereçam o serviço. Diversos sites que fazem elojob podem ser encontrados aqui no Brasil, e os preços variam de R$ 20 a até R$ 2 mil.

*Colaboraram Gustavo Ruban e Raphael Andrade, estagiários do R7